GT de Transição Energética organiza workshop sobre “Transição Energética & Impacto no Consumidor Final”
No dia 12 de março, o Grupo de Trabalho de Transição Energética organizou um workshop no âmbito do tema da “Transição Energética & Impacto no Consumidor Final”.
O evento contou com uma sessão de abertura, apresentada por Fernando Martins (Coordenador do GT de Transição Energética) da ENSE, e Renata Scotti (Co-coordenadora do GT de Transição Energética) da ANEEL, que afirmaram o quão essencial é a reflexão sobre o impacto direto que a transição energética tem no consumidor final, especialmente num momentos em que esta se afirma como um dos principais desafios económicos, ambientais e sociais.
Entre a descarbonização, a eletrificação dos consumos, a diversificação de fontes de energia e a evolução do quadro regulatório, multiplicam-se mudanças que influenciam preços, escolhas tecnológicas e padrões de consumo.
O workshop reuniu dois especialistas internacionais para discutir o tema, com duas apresentações:
- A Transição Energética e o novo papel do Consumidor no Equilíbrio do Sistema Elétrico – Pedro Moura, Professor do Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra
- Transição e Transformação Energética Justa e Inclusiva – Graziella Albuquerque, Diretora da Revolusolar (Brasil)
Durante a sessão, o professor Pedro Moura, da Universidade de Coimbra, explicou que o sistema elétrico está a passar de um modelo centralizado para um modelo descentralizado, com milhões de recursos distribuídos. Esta mudança exige maior flexibilidade e altera o equilíbrio do sistema, que passa a depender também das decisões dos consumidores.
Foi ainda destacado que, no futuro, os custos energéticos poderão incidir mais sobre a potência utilizada (kW) do que sobre a energia consumida (kWh), refletindo os desafios da gestão da rede e da integração de renováveis.
O workshop abordou também a dimensão social da transição energética, com destaque para o caso do Brasil. Apesar do crescimento das energias renováveis, persistem desafios como pobreza energética, custos elevados e desigualdade no acesso. Projetos de energia solar comunitária têm demonstrado impacto positivo, através da redução de custos, criação de emprego local e inclusão social.
Estas iniciativas incluem formação de moradores, criação de cooperativas e modelos sustentáveis de gestão energética. O envolvimento direto dos moradores garante adesão e sentimento de pertença, sendo a participação comunitária essencial para o sucesso e sustentabilidade dos projetos. Redes de organizações têm ainda vindo a integrar preocupações com a conectividade digital, promovendo o uso responsável da internet através de decisões construídas com as próprias comunidades.
Os principais desafios identificados passam pela escala, financiamento e enquadramento em políticas públicas. Foi igualmente sublinhado que, mesmo sem acesso a tecnologias como o solar fotovoltaico, os consumidores podem ter um papel ativo através da eficiência energética e da gestão do consumo, contribuindo para reduzir custos e mitigar a pobreza energética.
Este workshop promoveu um espaço de debate e partilha sobre como as transformações, no âmbito da transição energética, estão a redefinir o papel do consumidor no sistema energético, bem como as oportunidades, riscos e mecanismos de proteção que isso acarta, e as diferentes maneiras como isso se manifesta nos diversos países. Os participantes destacaram que o sucesso da transição energética dependerá não só da inovação tecnológica, mas também de regulação eficaz, incentivos adequados e uma abordagem inclusiva que envolva ativamente os consumidores.