No passado dia 23 de janeiro 2026, o Grupo de Trabalho de Transição Energética da RELOP realizou o seu primeiro workshop de 2026, no âmbito do tema “Resiliência dos Sistemas Energéticos face a Eventos Extremos”.
A sessão evidenciou que a resiliência energética constitui hoje um desafio estrutural, num contexto em que os sistemas energéticos se encontram casa vez mais expostos a fenómenos climáticos severos, riscos operacionais acrescidos e novas vulnerabilidades digitais.
Por parte da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), Miguel Alves sublinhou que o conceito de resiliência ultrapassa a noção tradicional de fiabilidade, integrando dimensões como a antecipação, a robustez, a capacidade de resposta e a recuperação sustentável. O debate em torno de soluções técnicas, incluindo redes aéreas versus subterrâneas, armazenamento, interligações e qualidade de serviço, destacou o impacto direto destas opções nos consumidores e na estrutura tarifária.
Da perspectiva regulatória brasileira, Alex Almeida Pignatti (CPFL Energia) apresentou os principais desenvolvimentos decorrentes da recente revisão regulamentar da ANEEL, que reforça as exigências em matéria de planos de contingência, mecanismos de compensação financeira e comunicação transparente com os consumidores. Complementarmente, a experiência operacional do grupo CPFL Energia trouxe uma visão prática sobre a resposta a eventos extremos, evidenciando o papel da automação, dos centros de operação integrados e do investimento contínuo na robustez das redes.
Foi igualmente salientada a dimensão da segurança energética, através da intervenção de Tiago Silva, da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), que destacou a importância da monitorização de reservas, da fiscalização do mercado e da coordenação institucional. Num contexto de crescente instabilidade internacional e pressão sobre as cadeias de abastecimento, estes pilares são essenciais para assegurar a continuidade do fornecimento de eletricidade, gás natural e combustíveis.
O workshop reafirmou a importância de uma abordagem integrada à resiliência dos sistemas energéticos, assente na cooperação regulatória, na partilha de boas práticas e no alinhamento entre políticas públicas, enquadramento regulatório e decisões técnicas. O reforço da resiliência é hoje um elemento central para garantir a segurança energéticas, a proteção dos consumidores e a sustentabilidade da transição energética nos países da CPLP.